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FAMÍLIA VICENTINA
A expressão Família Vicentina (FV) se refere ao conjunto de congregações, organismos, movimentos, associações, grupos e pessoas que, de forma direta ou indireta, prolongam no tempo o carisma vicentino, sejam eles fundados diretamente por São Vicente de Paulo, ou encontrem nele a fonte de sua inspiração e dedicação ao serviço dos pobres.

De acordo com o grau de afinidade e especificidade de cada ramo, a Família Vicentina possui hoje no mundo mais de 165 ramos, que têm como herança comum:

• O reconhecimento de São Vicente de Paulo ou como fundador ou como fonte de inspiração;
• Uma acentuada orientação para o serviço dos pobres;
• Uma espiritualidade baseada na figura de São Vicente, com ênfase especial na caridade concreta e prática, vivida na simplicidade e na humildade.

A proposta de articulação da Família Vicentina
"São Vicente de Paulo, homem de ação e oração", afirma o papa João Paulo II]]Ao longo dos tempos, diversos ramos da FV sempre desenvolveram alguma forma espontânea de aproximação e colaboração mútua.

Nos últimos anos, esta aproximação e colaboração mútua têm crescido cada vez mais. No Brasil, por exemplo, nos anos 80, surgiu a Frente Ampla Vicentina, que desenvolveu uma significativa ação por ocasião das comemorações do 4º Centenário do Nascimento de São Vicente de Paulo (1981).

Na década de 90, a partir de diversas experiências positivas em vários países, os Superiores Maiores de alguns ramos têm se reunido e daí tem surgido uma insistente proposta de colaboração vicentina. Com formal e renovado impulso, esta proposta de organização da FV não tem sentido jurídico-canônico; trata-se de um convite a todos os grupos e pessoas que participam da herança vicentina, para que se entrosem e colaborem entre si, sempre buscando melhor serviço aos pobres.

Objetivos e princípios da Família Vicentina
A proposta de organização da FV se apoia na convicção de nossa responsabilidade missionária a serviço do Reino, na força profética e dinamizadora do carisma vicentino. Animados pela força da caridade, com criatividade e abertura, queremos criar mecanismos para uma efetiva colaboração mútua, aprofundando as atuais exigências do carisma vicentino e respondendo juntos aos atuais e urgentes clamores dos pobres. A proposta de articulação da FV tem, pois, os seguintes objetivos específicos:

• Intensificar os laços de fraternidade e conhecimento entre os vários ramos;
• Aprofundar o carisma vicentino à luz dos apelos de hoje;
• Desenvolver formas de colaboração na formação dos membros dos diversos ramos;
• Empreender projetos conjuntos de serviço aos pobres, em conformidade com os seus novos e atuais clamores.

VIRTUDES DA ESPIRITUALIDADE VICENTINA

A Espiritualidade vicentina está pautada, desde sua gestação, mediante o testemunho de Vicente de Paulo e seus primeiros companheiros de missão, no contexto da Igreja do século XVII, na França, em cinco virtudes, colhidas do Evangelho de Jesus Cristo e da sua práxis libertadora junto ao povo empobrecido e marginalizado. Estas virtudes são assim nomeadas pelo próprio Vicente de Paulo: simplicidade, humildade, mortificação, mansidão e zelo pelas almas(zelo apostólico):

>>Simplicidade
A virtude da Simplicidade educa-nos na capacidade de desenvolver os valores da verdade, da sinceridade, da transparência. Viver plenamente a simplicidade nos ajudará a evitar ser falsos uns com os outros e muito menos com o povo; por esta virtude somos chamados a ser simples, a dizer as coisas como são, sempre com sinceridade em relação à outra pessoa.
Diante dos desafios que o pluralismo de idéias e de valores e contra-valores que a sociedade capitalista nos impõe, precisamos ficar mais atentos em relação à nossa postura junto ao povo e o cultivo de valores que não são transitórios, mas base para a vida com dignidade. Um desses valores é o cultivo da simplicidade. O povo ao qual procuramos evangelizar se aproximará de nós mediante nossa postura diante dele. A simplicidade impregnada em nossos atos possibilitará essa pedagógica aproximação do povo mais simples a nós e vice-versa.
O próprio São Vicente definiu na sua vivência a importância desta virtude na vida de um vicentino: “A simplicidade é a virtude que mais amo, eu a chamo de meu evangelho” (SV I,284).

>>Humildade
São Vicente de Paulo define a Humildade como a virtude que dá a característica essencial à missão na Pequena Companhia. A humildade é a virtude que nos torna capazes de reconhecer e admitir nossas fraquezas e limitações, criando assim a possibilidade de confiar mais em Deus e menos em nós mesmos.
A humildade ajuda-nos a nos livrarmos da nossa auto-suficiência, a reconhecermos nossa dependência do amor do Criador e nossa interdependência comunitária. Ao mesmo tempo, a humildade nos capacita para reconhecer nossos talentos, talentos que devem ser postos a serviço das outras pessoas.
É a virtude que permite aos pobres aproximar-se de nós. É a virtude que nos ajuda a ver que todos somos iguais aos olhos de Deus. A vivência desta virtude educa-nos e capacita-nos, em contrapartida, para aproximar-nos progressivamente dos Pobres. Esta virtude nos impulsiona a um processo contínuo de inculturação no mundo dos pobres, encorajando-nos a um esforço de identificação com os mesmos.

>>Mansidão
Virtudes vicentinas: simplicidade, humildade, mansidão, mortificação e zelo apostólico
Etimologicamente, mansidão vem de “mansuetude” e manso de “mansus”, forma do latim vulgar de “mansuetus”. Tem um significado de comportamento aconchegante, familiar, doméstico. Conceitualmente, a mansidão se entende como a força, a virtude, que permite a pessoa moderar razoavelmente sua ira e indignação. A razoável indignação pode ser com freqüência sã e saudável, transposição lícita da sobrecarga psicológica a um ato de zelo pela glória de Deus, pela justiça ou pelo bem do próximo.
A mansidão não é agressiva, raivosa, barulhenta. Certamente é uma virtude chave na comunidade. É a virtude que ajuda a construir a confiança de uns nos outros, porque, quando somos amáveis, os que são tímidos se abrirão em relação a nós. Por estas razões podemos dizer que a mansidão é a virtude por demais vocacional, como constatou o próprio São Vicente: “Se não se pode ganhar uma pessoa pela amabilidade e pela paciência, será difícil consegui-lo de outra maneira” (SV VII, 226).
A mansidão inspira um trato suave, agradável, educado, e fundamenta a tolerância, valor este muito importante para a convivência em uma sociedade plural em que o respeito à pessoa e à sua liberdade deve ser uma lei indiscutível.

>>Mortificação

Por esta virtude somos interpelados a morrer para nós mesmos. É a virtude que pede que nos entreguemos totalmente, pensemos primeiro nos outros, pensemos especialmente nos Pobres antes de pensar em nós mesmos. Esta virtude educa-nos para o altruísmo em detrimento do nosso egocentrismo.
Assim nos diz São Vicente: “Os santos são santos porque seguem as pegadas de Jesus Cristo, renunciam a si mesmos e se mortificam em todas as coisas” (SV XII, 227).

>>Zelo Apostólico
Podemos identificar o zelo apostólico com paixão pela humanidade. O zelo é a conseqüência de um coração verdadeiramente compassivo. Trata-se da paixão por Cristo, paixão pela humanidade e paixão especialmente pelo Pobre. O zelo é uma virtude verdadeiramente missionária. Expressa-se em forma de disponibilidade, de disposição para o serviço e a evangelização, mesmo quando as forças físicas já estão decadentes.
Assim sendo, relacionado com o zelo está o entusiasmo, que leva à ação. Podemos entender o zelo como uma expressão concreta do amor efetivo, que é motivado pela compaixão, ou amor afetivo.

ALGUNS RAMOS DA FAMÍLIA VICENTINA


Instituto das Irmãs de São Vicente de Paulo "Servas dos Pobres" de Gysegen



"Nisto manifestou o amor de Deus por nós em nos ter enviado ao mundo seu Filho único, para que vivamos por Ele" (Jo 4,9).


Sociedade de São Vicente de Paulo


"Eu queria reunir o mundo todo numa grande rede de Caridade" (Frederico Ozanam)


Fráteres de Nossa Senhora Mãe da Misericórdia



"Seguir os passos da Providência Divina. A misericórdia de Deus!"

 

Religiosos de São Vicente de Paulo



"Em tudo e acima de tudo, a Caridade é a nossa Regra e nossa Lei suprema".


Associação Internacional de Caridades



"Contra as pobrezas, agir juntos!"

 

Juventude Marial Vicentina



"Amamos a Deus na Pessoa dos Pobres com a foça da nossa Juventude!"

Instituto das Filhas de Maria Servas de Caridade



"Consumir-se servindo!"

 

Filhos da Caridade



"Não são os Pobres que estão para nós mas somos nós que devemos ser por eles".

 

Companhia das Filhas da Caridade



"A Caridade de Jesus Cristo crucificado nos impele ir aos Pobres!"


Congregação da Missão


"O Senhor me enviou para Evangelizar os Pobres"

 

Irmãs da Caridade de Santa Joana Antida Thouret



"Sirvam sempre os Pobres, esses membros de Cristo Sofredor!"


Associação da Medalha Milagrosa - AMM



Nossa Senhora das Graça


Missionários(as) Vicentinos(as) Leigos (as) - MISEVI



"Jesus Cristo é a Regra da Missão" (Vicente de Paulo)