|
De Ozanam e seu encontro
com o papa Pio IX
Felizmente a mudança
de ares foi o melhor remédio e Ozanam pôde, sem constrangimento,
desempenhar a comissão estipulada pelo Ministro. Sentia-se renascer
gozando a viagem e freqüentando os museus e arquivos históricos
tendo ainda a alegrar-lhe a existência a companhia da esposa extremecida
e da filhinha querida. Ele iria empolgar-se com a agitação
que invadira a Itália e o arrastaria para a luta noutros importantes
setores dos sofrimentos humanos.
Chegando a Roma, Ozanam procurou em primeiro lugar ver o Papa Pio IX,
eleito em junho de 1846. E ficou deslumbrado com as manifestações
que lhe prestava o povo, que, apinhado aos milhares, o aclamava e dele
recebia em pessoa a comunhão. Com lágrimas nos olhos, contemplava
aquela figura "tão doce, tão santa", exprimindo
tanta caridade. E dizia para si que "era conquistando corações
que o Papa conquistaria todos para Igreja".
O Santo Padre recebeu Ozanam em audiência particular, que ele assim
descreve: "Sua Santidade fez minha mulher sentar-se e abençoou
minha filhinha de dezoito meses que, ajoelhada, olhava para ele. O Santo
Padre falou da França, da juventude, das escolas, com muita emoção".
"Disse que conhecia a Sociedade de São Vicente de Paulo e
as boas obras que sua juventude praticava com as visitas aos pobres e
doentes, concluindo: Nossa esperança está nessa mocidade".
Em agosto de 1847, Ozanam regressou recuperado, mas empolgado pelos novos
rumos que Pio IX dera ao seu governo espiritual e ao seu reinado temporal.
O Papa provocara revolução política nos Estados Pontifícios.
Concedera anistia, determinara a revisão das leis vigentes, criara
o Conselho de Estado e estabelecera uma representação comunal.
Ozanam presenciara a "marcha triunfal" da multidão, dando
vivas a Pio IX. Desde então quis defender também as necessidades
políticas e sociais do povo.
|