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Trechos 01/11/1847-sr. Gossin
O ambiente das sessões
deve ser sério, mas alegre e sem abuso de publicidade.
A maior parte das Conferências,
graças a Deus, não conhece a tristeza e o constrangimento.
Pelo contrário, a alegria tem nelas entrada franca e, geralmente,
reina em seu seio uma cordialidade amabilíssima. Infelizmente,
em algumas, em vez deste espírito animador e salutar, dominam embaraços,
friezas, e até mesmo o tédio.
É certo, todavia, que até hoje, nenhuma Conferência
faltou ao decoro, nem à caridade para com o próximo, por
se ter entregue à jovialidade e ao bom humor, uma ou outra vez.
O riso, algumas vezes, tem até efeitos excelentes: desperta a atenção,
evita o sono, excita a cordialidade e modera as divergências muito
acentuadas; é o mais seguro indício do espírito da
santa liberdade que deve reinar entre nós, é, ao mesmo tempo,
um atrativo, um vínculo, um encanto.
As Conferências mais liberais com os pobres são as em que
se exerce a caridade alegremente.
Seria, certamente, censurável o ir a uma Conferência com
o fim de encontrar ou provocar ocasiões de hilaridade. É
necessário, ao invés, considerar a assistência à
Conferência como um dever sério. Mas não há
contradição alguma em tomar muito a sério uma sociedade
de caridade e entregar-se a uma jovialidade desafetada e comunicativa
que surge no momento. Em França, o que os homens, mesmo os mais
virtuosos, receiam acima de tudo é o tédio; neste ponto
de vista, todos são mais ou menos franceses.
O tédio em uma Conferência é o mesmo que a fumaça
em uma colméia. Quando um enxame não prospera, não
é porque as abelhas se desgostem do trabalho, mas porque é
importunado por curiosos que buscam a todo transe penetrar o segredo do
processo com que fabricam o mel e a cera e do regime interno da pequena
e inocente comunidade
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