|
LALLIER SECRETÁRIO GERAL
10/03/1837
1o de Março de 1837.
RESUMO ANALÍTICO: A união pela
caridade, a oração, a troca de correspondência.
SENHORES,
A identidade de usos estabelece entre as conferências, uma fraternidade
fecunda.
Começamos convosco
uma troca de correspondência, que nos será bem agradável.
Bem sabeis que há uma coisa, sobretudo, que ajuda e dá força
neste mundo, é o pensamento de que temos em redor de nós,
almas a quem pedimos exemplos. Vive-se o dobro, quando se tem amigos,
e as sociedades de caridade também vivem duplamente quando têm
irmãs.
Sentistes bem o poder deste parentesco cristão quando adotastes
as nossas orações e os nossos usos. Não era a grandeza
das nossas obras que podia seduzir, visto que alguns de vós tinham
sido testemunhas da nossa pobreza; mas compreendestes que aqueles que
se unem por uma inspiração católica, comunicam, uns
aos outros, pelas suas orações, uma força imensa,
por muito pobres que sejam. Tornastes-vos, portanto, nossos irmãos
para participardes e fazer-nos participar da intimidade cristã.
Aproveitaremos todos, Senhores, desta preciosa vantagem que nossa fé
nos proporciona.
Caridade espiritual, unida
à caridade material.
Outros há, que esperam consolar sem crer. Espalham aqui e ali mãos
cheias de dinheiro que o pobre despreza, como migalhas desvaliosas. Bem
pouco é também o que oferecemos, porque somos pequenos e
por que a verdadeira caridade é sempre pobre como aqueles a quem
socorre, mas temos a caridade do coração, que pode centuplicar
o nosso dinheiro; e os infelizes, que bem o compreendem, recebem-nos com
respeito e alegria. É, sobretudo, para a distribuição
das esmolas espirituais que nos auxiliamos uns aos outros, embora muito
afastados. Quando um dos nossos colegas de Nimes, de Lion, de Rennes,
de Nantes ou de Paris, tiver consolado os seus pobres, nós, Senhores,
teremos facilitado a sua missão pelas nossas orações
e tomado parte em suas obras.
|